Indústria

Terça-feira, 12 de Setembro de 2017, 11:28

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AGREGAÇÃO DE VALOR

Etanol de milho: uma realidade viável para a agricultura e indústria de Mato Grosso

Por: Viviane Petroli

Da Redação

Viviane Petroli/Mato Grosso Agro

clusters de milho

Estudo foi realizado pelo Imea, após solicitação da Aprosoja-MT e do Sindacool-MT.

A produção de etanol de milho em Mato Grosso já é uma realidade. Das 11 usinas produtoras do biocombustível no estado uma fabrica o produto utilizando apenas o cereal e outras três são flex. Segundo o setor sucroalcooleiro, há ainda estudos de outras três plantas para serem implantadas. A expectativa é que somente as usinas flex utilizem em 2017 em torno de 800 mil toneladas de milho para produzir etanol. Para agricultores o uso do cereal na fabricação do biocombustível pode significar uma "solução" para os problemas de armazenagem.

A viabilidade de investimento em usinas para a produção de etanol de milho, tanto de mini usinas quanto em unidades fabris flex e 100% através do cereal, foi apresentada na manhã desta terça-feira, 12 de setembro, por meio do estudo “Clusters de etanol de milho em Mato Grosso”, elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com a Stracta Consultoria e a Agroicone, após solicitação da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) e do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool-MT).

Coordenado pelo gestor de projetos do Imea, Paulo Ozaki, o estudo aponta que os “clusters” de etanol de milho em Mato Grosso são viáveis desde que sejam bem “planejados” e “estruturados”. Ainda de acordo com o levantamento, há viabilidade econômica na implantação de usinas de etanol de milho no estado desde que haja um ponto de equilíbrio do milho para a usina variando entre R$ 26 e R$ 36 a saca e ponto de equilíbrio do preço do etanol pago para a usina entre R$ 1,30 e R$ 1,77.

O estudo aponta ainda que os maiores entraves para a produção do biocombustível é a logística para os grandes centros e a oferta de biomassa, tendo em vista a alta dependência para a produção de energia.

Hoje, em Mato Grosso produzindo etanol utilizando o milho há a FSB Energia, inaugurada em agosto no município de Lucas do Rio Verde. Já as usinas flex são a Usimat (Campos de Júlio), Porto Seguro (Jaciara) e Libra (São José do Rio Claro).

Na avaliação do presidente do Sistema Famato, Normando Corral, a produção de etanol de milho em Mato Grosso “é uma forma de agroindustrializar o estado”, além de gerar agregação de valor com a produção de subprodutos, como é o caso do DDG, extraído durante o processo de destilação e um concentrado proteico que pode ser usado na alimentação de bovinos, suínos e aves.

Viviane Petroli/Mato Grosso Agro

Paulo Ozaki - Imea

Estudo foi coordenado pelo gestor de projetos do Imea, Paulo Ozaki.

Corral ressalta ainda que “não há fonte de energia e combustível mais limpo que o etanol. A preocupação ecológica que existe com os produtores muitas vezes não existem no consumidor na hora de abastecer o seu carro”.

Mato Grosso na safra 2016/2017 colheu um volume de aproximadamente 30,5 milhões de toneladas de milho. Para o conselheiro da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Glauber Silveira, utilizar o cereal para produzir etanol é uma alternativa para o produtor, em especial diante o crescimento da produção. Ainda segundo Glauber Silveira, a produção do biocombustível com o cereal ainda é viável diante os preços da saca, que em algumas praças hoje se encontram abaixo do preço mínimo de R$ 16,50.

“O etanol de milho favorece até mesmo o setor da base florestal, uma vez que utiliza-se eucalipto para a produção de energia, ou seja, as usinas são movidas a biomassa. Temos que produzir e temos, principalmente, que buscar mercado para esse etanol”, salienta Glauber Silveira.
Para a indústria sucroalcooleira, de acordo com o presidente do Sindalcool-MT, Sílvio Rangel, a produção de etanol de milho é importante, visto a agregação de valores que permite. “Precisamos alavancar o estado e a agregação de valor ajudará nisso. O estudo é uma ferramenta para investimentos em Mato Grosso”.

Segundo o diretor executivo do Sindalcool-MT, Jorge dos Santos, a perspectiva é que somente as usinas flex utilizem em 2017 um volume de 800 mil toneladas de milho para produzir etanol e há estudos para ao menos mais três usinas 100% etanol de milho para serem implantadas no estado. “Acredito que todas as nossas unidades se tornarão usinas flex ao longo do tempo, porque de acordo com a COP 21 nós temos que cumprir até 2030 50 bilhões de litros de etanol. Isso é praticamente dobrar a produção nacional. O milho vem em boa hora para suprir essa deficiência já que a cana precisa de um ano e meio para ficar pronta e o milho é muito mais rápido”, afirma o diretor executivo do Sindalcool-MT, Jorge dos Santos.

Solução para armazenagem

Além da agregação de valor, o uso de milho para a produção de etanol pode elevar o consumo interno do cereal, que hoje, de acordo com o Imea, é de 15% do que é produzido, além de solucionar o problema de armazenagem dos grãos.

“De fato pode aumentar o consumo interno do milho e também minimizar os problemas de armazenagem. Temos capacidade para aumentar a produção de etanol de milho em Mato Grosso, inclusive, uma vez que a área utilizada para semear o cereal é a mesma da soja”, salienta o superintendente do Imea, Daniel Latorraca.

Quanto ao valor pago pelos consumidores, Daniela Latorraca pontua ser difícil precisar se o aumento da oferta de etanol, usando o milho em sua produção, pode trazer impactos nas bombas, uma vez que existem outros fatores que podem influenciar nos valores encontrados nos postos de combustíveis, como é o caso do preço do óleo diesel, já que o derivado do petróleo é utilizado para o transporte dos grãos e do produto final das usinas para as distribuidoras e assim para os postos.

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