Indústria

Segunda-feira, 11 de Junho de 2018, 09:53

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DISTRITO INDUSTRIAL DE CUIABÁ

Não temos problemas apenas com o Estado, mas também com o município, diz Margareth Buzetti

Por: Viviane Petroli

Da Redação Mato Grosso Agro

Foto: Assessoria de Imprensa

Margareth Buzetti

 

Alto ICMS na energia elétrica e no combustível. Falta de segurança, iluminação pública, infraestrutura e saneamento, entre outros. Esses são alguns dos pontos elencados pela empresária e presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Cuiabá (Aedic), Margareth Buzetti, sobre os problemas enfrentados pelos empresários do Distrito Industrial da capital mato-grossense, que diante as burocracias do Estado e do Município e altos custos, principalmente de impostos e taxas, hoje presencia inúmeras empresas com placas de vende-se e aluga-se. Em agosto o Distrito Industrial de Cuiabá completa 40 anos.

As filas quilométricas de caminhões carregados com soja dentro do Distrito Industrial de Cuiabá com destino as esmagadoras Amaggi, Bunge e Clarion não são vistas há mais de cinco anos. Outras empresas deixaram a capital mato-grossense com sua parte industrial e migraram para outros municípios ou até mesmo outros estado. Já algumas fecharam suas portas, como é o caso de uma indústria de fiação, por questões financeiras.

Hoje, o Distrito Industrial de Cuiabá possui 265 empresas e gera mais de 20 mil empregos diretos e indiretos. São empresas e indústrias do segmento de recapadoras de pneus, produção de tinta, produção de biodiesel, indústria de preformas (tubos que dão origem a garrafas pet), indústrias de tubos e latinhas de alumínio, uma indústria de pão, distribuidoras de combustíveis, Centros de Distribuição, Porto Seco, oficinas mecânicas, fábrica de rações, entre outras.

Segundo Margareth Buzetti, muito coisa mudou desde que ela chegou ao Distrito Industrial há cerca de 19 anos com a sua empresa. Uma das maiores mudanças foi à chegada do asfalto na época do Governo Dante de Oliveira, após uma luta dos empresários para tal. O Distrito Industrial naquela época, lembra a empresária e presidente da Aedic, parecia um “brejão”, um “lavourão”, pois quando chovia alagava, dificultando a passagem de carros e caminhões, ou era um verdadeiro “poeirão” na época da seca.

"Eu estou há 19 anos dentro do Distrito Industrial e nesse período ele mudou muito, mas eu já o conhecia anteriormente. Nós não perdemos somente a Amaggi, nós perdemos a Clarion, que era outra esmagadora de soja, a Bunge. Então, nós tínhamos três esmagadoras de soja e hoje não temos nenhuma. Isso era um movimento ‘monstro’ dentro do Distrito. Você tinha um fluxo de carga e descarga muito grande", lembra Buzetti.

De acordo com Margareth Buzetti, hoje os empresários do Distrito Industrial não vivem apenas um problema de Estado, mas também de município, diante algumas taxas anuais de funcionamento, como é o caso do Alvará que são quatro: funcionamento, sanitário, publicidade e publicidade móvel. "Nós estamos fazendo um grupo de estudos na Aedic para rever as leis municipais. Sofremos uma fiscalização recentemente e vimos que dentro dos alvarás nós temos quatro alvarás diferentes na Prefeitura. Nós temos alvará sanitário, alvará de publicidade, alvará de publicidade móvel e alvará de funcionamento. Isso é custo e não é um custo barato. Nós conseguimos um redutor, através de uma luta da Associação e associados, de 70% do alvará de funcionamento", comenta a presidente da Aedic em entrevista ao site Mato Grosso Agro.

Questionada o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), Margareth Buzetti pontua que as empresas seguem na luta pela aprovação do benefício junto ao Governo de Mato Grosso e que renovações do mesmo chegam a levar até oito meses.

"A questão do ICMS para as indústrias a gente luta com o Prodeic para aprovar o benefício dessas empresas que não está fácil para renovar. Mas, a gente tem conseguido. Você demora seis, oito meses para conseguir uma renovação, mas você consegue se estiver tudo certo, que é o correto. A empresa tem que estar legal, estar cumprindo com todas as contrapartidas".

Quanto à saída e/ou fechamento de empresas após o pente fino realizado pelo Governo de Mato Grosso no início da atual gestão no Prodeic, a presidente da Aedic frisa que somente as empresas que estavam “ilegais”, como apontado no levantamento feito pelo Poder Executivo mato-grossense é que saíram ou fecharam as suas portas, após perderem o benefício.

Foto: Chico Ferreira/Assessoria Aedic

Distrito Industrial

 

Combustível e energia são outras brigas

Outros pontos que atrapalham o desenvolvimento do Distrito Industrial e a vinda de novas empresas é a pesada carga tributária em cima do combustível, em específico o óleo diesel, e da energia elétrica. "Esses dias eu ouvi do governador de Mato Grosso que nós temos um dos ICMS mais baratos do Brasil no combustível. Eu olhei para ele e disse “aonde?”. Os caminhões vêm para cá com dois tanques de combustível para não abastecer aqui e agora eles estão colocando o terceiro tanque para não abastecer em Mato Grosso. Quer dizer, então você usa as estradas, estraga as nossas estradas, você usa nossos postos para dormir, usar o banheiro e não abastece, porque o ICMS é absurdo. Outra coisa a energia elétrica. O que encarece muito a nossa energia é o ICMS".

De acordo com a Energisa Mato Grosso, como o Mato Grosso Agro já comentou (confira aqui), 40% por cento da conta de luz dos mato-grossenses são impostos. O ICMS incidente na energia no estado é de aproximadamente 27%.

Segurança e infraestrutura

Recentemente a Aedic fechou uma parceria com a empresa Titânia Telecom para a disponibilização de 34 pontos de fibra óptica. Com a parceria 34 câmeras com padrão definido pela segurança pública serão instalados. Estes equipamentos estarão ligados diretamente ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública de Mato Grosso (Ciosp).

Conforme Margareth Buzetti, a segurança é hoje um dos grandes gargalos do Distrito Industrial. Em abril deste ano empresários, trabalhadores e moradores de bairros na região comemoraram o "retorno" do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso para o Distrito Industrial com o Combate a incêndio com produtos perigosos e o Batalhão de Emergências Ambientais (BEA).

Apesar disso, a presidente da Aedic pontua que ainda falta segurança diante os constantes casos de roubos e furtos nas empresas e até mesmo de veículos de carga que circulam 24h no Distrito Industrial.

Quanto ao quesito de segurança, Margareth Buzetti afirma que "da porta para dentro é de responsabilidade nossa. Da porta pra fora, que seria do Estado, também ficou nossa, porque o Estado, nem ninguém faz nada. Nós estamos tentando trazer uma base da polícia para dentro do Distrito, mas aí se vai falar que não tem efetivo, não tem recurso, não tem local. Aí vai falar que quer que você arrume local, que você reforme essa base, que você faça tudo. Aí vêm dois, três homens, quer dizer é difícil".

40 anos de Distrito Industrial

Em agosto de 2018 o Distrito Industrial de Cuiabá completa 40 anos e um dos projetos para o futuro, além de levar uma Base da Polícia Militar e atrair novas empresas, é quanto a infraestrutura, em especial o saneamento. "Isso é uma coisa que tem que ser vista com cuidado, porque o Estado não fez. Ele fala que é nossa e não é. Quando o Estado entregou o Distrito ele teria que ter entregue essa infraestrutura. É a questão de saneamento, de infraestrutura mesmo. A Prefeitura iluminou muito bem a Avenida A, mas lá no fundo não tem. Nós temos também um problema de rebaixamento de energia. Tudo é alta tensão e você tem que trazer a rede baixa. Isso precisa da Energisa. Então, nós temos algumas particularidades no Distrito que você tem lidar com elas. A iluminação no Distrito Industrial é falha. Temos muitos pontos sem iluminação. Quem deveria dar infraestrutura é o Estado. A Prefeitura fica com iluminação, lixo, limpeza. Por isso, que a Prefeitura pediu para municipalizar o Distrito. Não sei se isso será bom ou ruim. Já foi feita uma audiência pública e deverão feitas outras reuniões".

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